quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

SÉRIE: Mindhunter


Mindhunter é uma série original da Netflix que foi bastante aclamada pelo público em seu lançamento. Por enquanto tem apenas uma temporada com 10 episódios, sendo cada episódio com uma duração média de 50 minutos.

A história da série foi baseada no livro de mesmo nome, escrito pelo agente de FBI John Douglas. Ele ficou conhecido por ser o primeiro caçador de serial killers, já que teve a ideia de entrevistar vários deles e outros são citados na série, como Ed Kemper, Jerry Brudos, Ted Bundy, Charles Manson, entre outros. O objetivo de John Douglas foi entender a mente e os reais motivos pelo quais essas pessoas cometeram crimes tão horríveis. Para isso, ele conta com a ajuda de outros dois investigadores. O livro e a série foram baseados em fatos reais.

É uma série de ritmo lento. Para quem não gosta de séries assim, ou se também não gosta muito de ler ou assistir coisas relacionadas à serial killers, essa série não é para você. Mas, se ao contrário, você se interessa pelo assunto, a série é um prato cheio para conhecer melhor a mente dos psicopatas.

Como disse, para mim a série falha no ritmo. Às vezes eu tinha que me forçar a assistir os episódios, deve ser por ter sido baseado em uma história real, pode não ser tão empolgante quanto algo ficcional. Mesmo assim a série me agradou por conta da temática. Algumas partes, como a entrevista com Ed Kemper e como a série explorou os aspectos psicológicos dos serial killers, foram os pontos altos da série. Espero que esses pontos negativos melhorem na segunda temporada, que já foi confirmada pela Netflix.
Nota: ★ ★ ★ ★ ☆ 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

LIVRO: From Here To Eternity - Caitlin Doughty


To cremate bodies we burn fossil fuel, thus named because it is made of decomposed dead organisms. Plants grow from the decayed matter of former plants. The pages of this book are made from the pulp of raw wood from a tree falled in its prime. All that surrounds us comes from death, every part of every city, and every part of every person.

O livro "From Here To Eternity: Travelling the World to Find the Good Death", da autora Caitlin Doughty (mesma autora de "Confissões do Crematório" - resenha aqui), foi publicado nos Estados Unidos em 2017. Ainda não foi publicado no Brasil, por isso li esse livro em inglês ao mesmo tempo que ouvia o audiobook, e hoje venho contar o que achei para vocês.

No seu livro anterior, Caitlin contou de sua relação com a morte e de sua experiência trabalhando por vários anos em crematórios. Neste livro, a autora viajou por vários lugares do mundo para conhecer como diferentes culturas lidam com a morte e seus rituais e o livro reúne esses relatos. Ela só não foi para países com culturas diferentes, como dentro desses países foi até onde era diferente para até mesmo quem é de lá. Em cada capítulo, vamos conhecendo esses rituais em diferentes partes dos Estados Unidos, Indonésia, México, Espanha, Japão e Bolívia.

O mais impressionante para mim foi ler sobre o Japão. Caitlin conta que o budismo, religião prenominante, lida bem com a tecnologia relacionada com ritos de morte. O país tem 99,9% de cremações, maior taxa do mundo. Em um dos locais onde as cinzas ficam armazenadas, é possível que o parente do falecido faça uma visita virtual, já que é possível acender incensos, levar flores e outras ofertas em uma plataforma online. Na Bolívia, ela conta sobre as nãtitas, uma tradição que as pessoas guardam crânios em casa e pedem desejos para eles, como proteção da casa, amor, dinheiro e saúde.

Each separation is a small death, and should be honored. This concept is reflected in the Japanese relationship with the dead body. You don't just let Mother disappear into the cremation machine; you sit with her, and thank her body - and her - for her service as your mother. Only then do you let her go.

A escrita de Caitlin é cativante e divertida, no mesmo estilo de seu primeiro livro. Achei este livro bem interessante e recomendo a leitura. Também recomendo o audiobook, já que é narrado pela própria autora. Eu particularmente adoro a voz dela.
Nota: ★ ★ ★ ★ ★

domingo, 11 de fevereiro de 2018

LIVRO: The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories - Tim Burton


"The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories", de Tim Burton, é um livro de poemas curtinhos sobre crianças bizarras que você pode ler de uma só vez, pois além de ter apenas cerca de 100 páginas, possui muitas e muitas ilustrações, também feitas pelo Tim Burton.

Os poemas são simples e divertidos, mas ao mesmo tempo são bem macabros. É aquele humor negro que o Tim Burton sabe muito bem produzir. Pra mim o ritmo dos poemas e as rimas são bem importantes na leitura, por isso recomendo a leitura dessa versão original, em inglês, ao invés de optar pela versão traduzida (O Triste Fim do Menino Ostra & Outras Histórias).



A maioria dos poemas são bem curtinhos, mas outros são mais longos. Ao longo da leitura e conhecendo os outros trabalhos de Tim Burton, fica claro seus problemas na infância, sendo uma criança incompreendida e sozinha, o que reflete bastante nos poemas.

Esse livro se tornou um dos meus favoritos. Eu já sou fã do Tim Burton de longa data e esses poemas me encantaram. Já li esse livro umas quatro vezes e não me canso.
Nota: ★ ★ ★ ★ ★

LIVRO: Manson, A Biografia Definitiva - Jeff Guinn

"Manson, A Biografia Definitiva" de Jeff Guinn, foi publicado no Brasil pela DarkSide Books. Trata-se de uma biografia completa baseada em muitas pesquisas realizadas pelo autor, para gerar um livro o mais fidedigno possível.

Para que não conhece (acho difícil de você não conhecê-lo se está aqui, mas por via das dúvidas...), Charles Manson foi líder de uma seita responsável por uma série de assassinatos nos Estados Unidos durante os anos de 1960, sendo o mais famoso o caso de uma atriz famosa na época, Sharon Tate, que inclusive estava grávida de 8 meses.


O caso chocou o mundo devido a crueldade dos crimes e pela peculiaridade de que Charles Manson não cometeu diretamente nenhum assassinato, mas sim ordenou seus "suditos" que o fizessem - a maioria mulheres jovens, que eram perdidamente encantadas por ele.

A família Manson, como eram conhecidos, também esteve envolvida em orgias, em que Manson ordenava as moças a terem relações com homens que ele escolhia. Também se envolviam com uso de drogas, roubos, entre outros, tudo em nome da "religião" que Manson criou para eles. Além disso, Charles queria ser músico, tendo conexões com bandas famosas da época Beach Boys e Beatles. Mais detalhes dessa história e como tudo começou, você encontra no livro.


O livro não decepciona. O autor traz uma quantidade de detalhes impressionante sobre Manson, desde seu nascimento, família, até o que acontece antes da primeira publicação do livro, em 2013. Inclusive, dia 19 de novembro de 2017 Charles Manson morreu. Coincidência ou não, foi um dia depois que finalizei a leitura desse livro.

Se você sempre teve curiosidade para saber mais sobre o tal Charles Manson ou simplesmente gosta de histórias de serial killers, vale à pena a leitura. O que me faz dar 4 estrelas à esse livro ao invés de 5 estrelas, é pelo fato de que na parte em que o autor descreve o julgamento de Manson e os integrantes de sua "família", é bem cansativo de ler, mas eu entendo que ele fez isso para ser um livro bem completo. Mas ainda sim isso não diminui a qualidade da leitura em si.
Nota: ★ ★ ★ ★ ☆


terça-feira, 27 de junho de 2017

SÉRIE: The Keepers

The Keepers é uma série documental da Netflix, sobre a investigação real do assassinato da freira Cathy Cesnik, ocorrido em 1969 nos Estados Unidos. Mesmo após tantos anos, o caso até então não tinha sido solucionado. Até que duas mulheres decidem investigar por conta própria e o que descobrem vai muito além do que parece. Os assuntos principais da série são pedofilia, assassinato, corrupção e religião.


A série possui apenas 1 temporada, dividida em 7 episódios com duração média de uma hora cada.  No primeiro episódio, temos uma visão geral de quem era Cathy e o que aparentemente aconteceu. Ao longo dos episódios a série se aprofunda nas entrevistas das testemunhas, trazendo novidades e surpresas ao telespectador.


No geral, gostei da série, apesar de ficar um pouco incomodada como as coisas se deram no final, é uma série bem intrigante. É daquele tipo de série que você mal termina de assistir um episódio, já quer iniciar o próximo. Não recomendo para quem não gosta de séries "paradas", pois as coisas acontecem de forma bem lenta e os episódios são longos. Mas se você não se incomoda com isso e gosta de séries com fatos reais, recomendo que você assista pelo menos o primeiro episódio e veja se te agrada.
Nota: ★ ★ ★ ★ ☆

segunda-feira, 26 de junho de 2017

15 filmes de terror recomendados pelo Stephen King

Está afim de assistir um bom filme de terror e não sabe qual escolher? Nada melhor do que o mestre do terror para te dar algumas inspirações. A lista abaixo são dos 15 filmes de terror indicados pelo Stephen King.



A Autópsia (The Autopsy of Jane Doe)

A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project)

A Colina Escarlate (Crimson Peak)

Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead)

Do Fundo do Mar (Deep Blue Sea)

Abismo do Medo (The Descent)

O Enigma do Horizonte (Event Horizon)

Premonição (Final Destination)

A Morte Pede Carona (The Hitcher)

A Última Casa à Esquerda (The Last House on the Left)




O Nevoeiro (The Mist)

As Ruínas (The Ruins)

Ecos do Além (Stir of Echoes)

Os Estranhos (The Strangers)

A Bruxa (The Witch)


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

LIVRO: Fantasmas do Século XX - Joe Hill


Este é o quarto livro de Joe Hill (outras resenhas: O Pacto e Nosferatu) e o primeiro com a coletânea de 15 contos do autor, segue abaixo os títulos:

  • O melhor do novo horror
  • Fantasma do século XX
  • Pop Art
  • Vocês irão ouvir o canto do gafanhoto
  • Os meninos de Abrahah
  • Melhor do que lá em casa
  • O telefone preto
  • Encurralado
  • A capa
  • Último suspiro
  • Madeira morta
  • O desjejum da viúva
  • Bobby Conroy volta dos mortos
  • A máscara do meu pai
  • Internação voluntária

Já começamos com o conto que foi o meu favorito do livro. Em "O melhor do novo horror", temos a história de um editor de uma revista sobre contos de horror que, dentre inúmeros contos que ele julga ordinários, um conto chama muito sua atenção. Ele inicia então uma busca pelo autor e descobre coisas bem bizarras sobre o tal rapaz.

O segundo conto, "Fantasma do século XX", inspiração para o título do livro, é a história de uma garota que morreu e passa a assombrar pessoas em um cinema retrô, aparecendo em determinados filmes.

"Pop Art" ficou em segundo lugar de favorito, pois é um conto marcante e você nunca mais olhará para um boneco inflável da mesma forma. Art é um menino inflável. Sua história é narrada pelo seu melhor amigo, um menino comum. Através das páginas temos a trajetória, sonhos e dificuldades que Art vivencia pela sua condição. Este conto é agridoce, de uma sensibilidade sem fim. Ao mesmo tempo que parece ser engraçado, também é triste e intrigante.

Você vive uma vida de astronauta quer queira, quer não. Deixa tudo para trás em troca de um mundo que desconhece. Simplesmente é assim que acontece. - Art (menino inflável), do conto Pop Art
"Vocês irão ouvir o canto do gafanhoto" é uma versão bizarra do famoso clássico Metamorfose de Franz Kafka. Um rapaz ao acordar para mais um dia em sua vida monótona, percebe que se transformou em um inseto gigante e asqueroso. As descrições que Joe Hill faz farão você ficar completamente enojado, com sentimento de horror mesmo.

Em "O telefone preto" temos uma história de um menino raptado por um suposto serial killer, então para quem gosta desse tema, assim como eu, vai achar o conto bem interessante.

Outro conto peculiar é "A máscara do meu pai". Uma família muito estranha vai para uma casa de campo reclusa para fugir, segundo eles, "das pessoas do baralho". Lá eles têm que usar máscaras e realizar bizarrices sexuais. O filho do casal quem narra a história.

"Internação voluntária" foi meu terceiro conto favorito. Quem escreve é um rapaz perturbado sobre seu irmão com problemas mentais que construía verdadeiras fortalezas com caixas de papelão vazias, que ocupavam cômodos inteiros. O mais estranho é o que acontecia lá dentro desses labirintos. Você terá que ler esse conto para descobrir. ;)
Ainda consigo seguir em frente por mais algum tempo, avançando pelo escuro, pelos espaços apertados das minhas próprias lembranças. Quem sabe o que pode haver depois da próxima curva? Talvez em algum lugar adiante haja uma janela. Talvez ela se abra para um campo de girassóis.
Os contos que não citei aqui é porque não foram muito marcantes para mim, mas não deixaram de ser ótimo. Joe Hill escreve muito bem e recomendo a leitura!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

LIVRO: Nosferatu - Joe Hill

Existem dois mundos (...) O mundo real, com os seus fatos e regras irritantes, onde as coisas são ou não verdadeiras, em geral é um saco. Mas as pessoas também vivem no mundo dentro da própria cabeça. Uma paisagem interior, um mundo de pensamento. Nele, as ideias são fatos. As emoções são como a lei da gravidade. Os sonhos, como a História. As pessoas criativas... escritores, por exemplo...   passam grande parte do tempo nos seus próprios mundos de pensamento. Os muito criativos, porém, são capazes de usar uma faca para abrir a costura entre os dois mundos, para juntá-los.

Este é o terceiro livro de Joe Hill, um dos meus autores favoritos! Para quem não conhece, ele é filho do Stephen King e tem se mostrado herdeiro do talento do pai. Neste livro, o escritor recria o clássico conto de vampiros com muito criatividade e maestria. Temos dois personagens centrais: Vic McQueen e Charlie Manx (o tal vampiro).

Vic McQueen é uma garotinha com uma criatividade que vai muito além da capacidade humana média. Enquanto uma pessoa normal pode criar um universo em sua mente, Vic consegue atravessar lugares reais.  Para isso, ela usa sua bicicleta e ao estar em cima dela, pode criar uma ponte que só ela pode atravessar, ligando locais de qualquer distância.  Ao atravessar a ponte, Vic sempre vai parar em um lugar que tem a solução para um problema que ela busca resposta.

Várias pessoas no mundo também tem esse poder, porém nem todas o usam para o bem. A pior delas é Charlie Manx, um vampiro bem diferente do que estamos acostumados: ao invés de sugar sangue, ele suga a alma de crianças e usa um carro para ultrapassar os limites físicos. Ele criou um lugar chamado Terra do Natal e leva para lá as crianças que se tornam também vampiras - elas não envelhecem mais, ficam com uma aparência medonha e Manx se sustenta dessa energia infantil. Para eles, todo dia é Natal!
(...) a Terra do Natal era um lugar situado na quarta dimensão, onde crianças mortas entoavam cantigas de Natal e davam telefonemas interurbanos (...)
Uma de suas miras é Vic, porém ela será a primeira criança que conseguirá fugir de Manx e, ao descobrir seus propósitos obscuros, Vic se torna sua inimiga. Mas Vic está longe de ser uma heroína perfeita. Com toda essa história de pontes, problemas familiares e mais a perseguição vampírica, ela passa da infância à vida adulta cheia de defeitos, o que traz justamente sua individualidade e nos faz gostar dela.


Para mim o autor pecou nas descrições prolongadas, coisa que não foi tão forte em seus dois livros anteriores ("A Estrada da Noite" e "Amaldiçoado"). É uma leitura longa, mais de 600 páginas, porém com capítulos curtos. A história se desenrola mesmo nas últimas 100 páginas e tem um final um tanto inesperado e satisfatório.

Uma coisa interessante deste livro são as várias músicas citadas, principalmente músicas natalinas, tanto que fiz uma playlist delas no Spotify para ser ouvida enquanto você lê. Recomendo esse combo que traz um clima macabro à leitura.
O Natal já passara fazia praticamente três meses e havia algo desagradável no fato de ouvir canções natalinas quase no verão. Era como ver um palhaço debaixo da chuva, com a maquiagem escorrendo.

Apesar deste ser o livro que menos me fisgou do autor, é muito bem escrito e esse Joe Hill ainda vai dar muito o que falar! O cara é muito bom. O jeito que ele escreve me fascina.
Nota: ★ ★ ★ ★ ☆